Por que retornar à Reforma?


Por Klênia Fassoni 

Em todo o mundo, os 500 anos da Reforma Protestante estão sendo comemorados desde o ano passado: viagens para os lugares onde tudo aconteceu, inúmeros eventos considerando o impacto e a atualidade da Reforma, pronunciamentos e celebrações oficiais, publicações etc. 

As consequências da Reforma Protestante extrapolam o mundo protestante.

O jornal O Globo do dia primeiro de janeiro de 2017 publicou o artigo Os 500 anos da Reforma Protestante, que abalou o mundo. Miriam Leitão, a autora, afirmou: “Apesar de ter nascido de uma discussão teológica e doutrinária, a Reforma é, sobretudo, uma efeméride laica porque representou valores universais que marcaram o fim da Idade Média e prenunciaram o Iluminismo.” (...) “Por ter tido educação protestante, nunca achei que 31 de outubro é o dia das bruxas. Sempre foi o dia em que Lutero, em 1517, começou uma revolução”.

Lucas Cranach, o artista que mais representou Lutero, jamais imaginaria que ele se tornaria o boneco sucesso de vendas da Playmobil. Lançado em fevereiro de 2016 na Alemanha, em apenas 72 horas foram vendidas 34 mil unidades tornando-o o boneco mais vendido da história da empresa, quando alcançou a marca de meio milhão.

Luterinho – de 7,5 cm – tem um semblante alegre, está vestido de uma capa preta e traz nas mãos uma pena e uma Bíblia aberta [foto ao lado]. Na caixa com as peças há também um folder informativo sobre ele. Foi criado em cooperação com a Central Alemã de Turismo, a Central de Congressos e Turismo de Nurembergue e a Igreja Evangélica Alemã.

Bonecos à parte, voltar à Reforma é importante para a Igreja, especialmente nestes tempos em que a identidade evangélica é tão fluida.

Não se trata apenas de recordar – de novo - a história. Mas de voltar aos princípios básicos da fé e aplicá-los. E nem de endeusar Lutero e outros representantes da Reforma Protestante. (Leopoldo Cervantes-Ortiz, escritor, dá uma boa contribuição ao chamar atenção para o grande número de pessoas que participaram da Reforma ao listar 100 Reformadores numa série de 7 artigos.

Se você ficou surpreendido com o sucesso do Lutero da Playmobil, possivelmente ficará surpreso também ao saber que Castelo Forte, o mais clássico hino da Reforma, foi apreciado por Bach, Beethoven, Debussy, Meyerbeer, Mendelssohn, Wagner e outros. 

Leia abaixo a história do hino, contada por Henriqueta Rosa Fernandes Braga (durante os primeiros anos da revista Ultimato ela escreveu para a seção “Música Sacra”), e assista ao vídeo produzido por Hinologia Cristã.

Em Ultimatoonline temos publicado várias matérias sobre a Reforma, muitas das quais estão ou estiveram entre os textos mais lidos do portal. Durante 2017 continuaremos publicando textos sobre este tema. 

*****

A marselhesa da Reforma
Castelo forte é nosso Deus, espada e bom escudo;
Com seu poder defende os seus em todo o transe agudo.
Com fúria pertinaz persegue Satanás, 
Com ânimo cruel; astuto e mui rebel.
Igual não há na terra.

A força do homem nada faz, sozinho está perdido.
Mas nosso Deus socorro traz, em seu Filho escolhido.
Sabeis quem é? Jesus, o que venceu na cruz, 
Senhor dos altos céus; e, sendo o próprio Deus
Triunfa na batalha.

Se nos quisessem devorar demônios não contados,
Não nos poderiam dominar, nem ver-nos assustados.
O príncipe do mal, com seu plano infernal,
Já condenado está; vencido cairá
Por uma só palavra.

De Deus o verbo ficará, sabemos com certeza
E nada nos perturbará, com Cristo por defesa.
Se temos de perder família, bens, prazer,
Se tudo se acabar e a morte nos chegar,
Com ele, reinaremos!
Amém


“Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”. Assim começa o salmo 46 cuja paráfrase por Lutero deu origem ao muito famoso “Coral da Reforma”, por ele mesmo posto em música de maneira magistral. O vigor, a profundidade e a nobreza de linha melódica têm maravilhado e inspirado numerosos compositores que a vem utilizando através dos séculos em várias produções e o levaram ao célebre poeta lírico alemão Henrique Heiner a denominá-lo a “Marselha da Reforma”.

João Sebastião Bach tomou-o como tema básico da sua cantata nº 80; Beethoven dele fez um cânos para vozes masculinas; Meyerbeer usou-o em sua ópera “Huguenots”; Mendelssohn utilizou-o em sua Sinfonia da Reforma e Wagner na célebre “Marcha do Imperador” que escreveu para comemorar o vitorioso regresso do Imperador Guilherme, após a Guerra Franco-Prussiana; Debussy apresentou-o no nº 3 de suas peças a dois pianos intituladas “Em preto e branco”. Isto para só citar as principais apropriações deste renomado Coral de Lutero.

Ao tempo da Reforma, “Castelo forte” divulgou-se rapidamente tornando-se hino nacional da Alemanha protestante. Insistentemente cantado por Lutero e seus companheiros, igualmente o foi nos lares, nas ruas e no campo, infundindo coragem aos fracos e incentivando os heróis a novas conquistas na tremenda luta em que se empenhavam. Ontem, como hoje, se mantém atual pelas profundas verdades que encerra e pela segurança que infunde ao crente em vibrantes versos como estes:

“Com Seu poder defende os Seus
em todo transe agudo”.
“E nada nos assustará
com Cristo por defesa”.

Sobre o momento exato em que foi escrito há controvérsia. Pensam alguns, entretanto, haja sido produzido no Castelo de Wartburgo no período em que ali esteve refugiado, o Reformador, quando também iniciou a tradução da Bíblia para o alemão. Trabalho com que se fixou esse idioma, tornando-se um dos seus monumentos, e que está para ele, como os “Lusíadas” de Camões para a língua portuguesa.

Acha-se este coral traduzido para várias línguas, sendo que a tradução vernácula, da autoria do professor Eduardo Von Hafe que trabalhou no Porto, Portugal, data de 1886.

Ultimato, ano 3, edição 34, outubro de 1970

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